quinta-feira, 15 de maio de 2014

Vamos falar de Regeneração? Parte 2
Antigo Evangelhomaio 15, 2014 0 comentários




“Jesus respondeu-lhe declarando: 
Em verdade, em verdade te asseguro que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” João 3:2 (BKJ)*

Jesus ao explicar sua doutrina a um doutor da lei chamado Nicodemos, que era fariseu, membro do supremo tribunal dos judeus, isto é, uma autoridade religiosa, afirma que o reino de Deus só poderá ser vivenciado por uma pessoa que nasce novamente.
É claro que essa expressão soou muito estranha aquele homem que conhecia bem a Torá, os profetas e toda escritura. Nicodemos certamente nunca imaginou que Jesus diria algo que ele não entenderia. Mas Jesus em sua bondade e misericórdia explica a Nicodemos que somente uma pessoa que é “nascida do Espírito” pode entender as coisas de Deus.(João 3:5-8) Jesus vai explicando até o versículo 21, sobre a importância de uma nova natureza para ao menos “ver” o Reino de Deus. Isso realmente faz toda a diferença para uma pessoa que é apresentada ao evangelho, para alguém que quer entender as coisas de Deus e praticar sua palavra.  E essa obra que é feita pelo próprio Espírito de Deus em nós começa com a convicção do pecado.
Hoje terminei de ler um livro excepcional: “O Peregrino” de John Bunyan*. Já havia assistido ao filme, mas não me chamou muito a atenção, e em certa altura até achei meio entediante. Mas o livro é maravilhoso, muito diferente do filme! Nesta alegoria Bunyan mostra a luta da alma do homem para vencer a natureza e o desejo carnal até que enfim ele entenda o sentido verdadeiro da cruz e do Reino de Deus. E o mais curioso é que “Cristão” o personagem principal da obra, depois de muito meditar sobre o pecado e juízo, somente se livra do fardo após passar pela porta estreita e encontrar  cruz. E vejo tantos “cristãos” há anos nas igrejas com fardos pesadíssimos  sem encontrar se quer o “ caminho para a porta estreita”.  Aconselho a leitura deste livro, em que encontramos frases como:

“...é pelo despertar para o pecado que Deus começa a conversão do pecador” p.181

“... a fé é falsa quando ....porque você aplica a justificação da justiça pessoal de Cristo a sua própria justiça.... essa fé não faz de Cristo justificador de sua pessoa, mas de seus atos, o que é falso.”p. 194

“... se arde o seu desejo pelo céu em virtude apenas da ideia e do medo dos tormentos do Inferno, quando a ideia do Inferno passa e os medos da perdição esfriam, também esfriam os desejos pelo céu e pela salvação.” p. 199 (explicando a passagem de 2 Pedro 2:22)

O mais maravilhoso nesta obra é a valorização das heranças eternas em detrimento as conquistas terrenas. John Bunyan, mostra em seus outros livros como ele pessoalmente lutava em oração contra sua natureza pecadora no tempo de sua conversão. Veja este trecho:

“Enquanto eu me sentia condenado ás penas eternas, admirei-me de como o próximo se esforçava para ganhar bens terrestres, como se esperasse viver aqui eternamente... Se pudesse ter a certeza da salvação da minha alma, como me sentiria rico, mesmo que não tivesse mais para comer a não ser feijão.” (trecho do livro Graça abundante ao principal dos pecadores)*

É preciso um despertar para a urgência da convicção pelos pecados. Enquanto tratarmos os nossos pecados como inofensivos não conseguiremos “amar o que Deus ama e odiar o que Deus odeia”. Na pregação abaixo do Pr. Paulo Junior*, você poderá entender mais sobre o pesar pelos pecados, ele inclusive cita a luta de John Bunyan pela convicção pelo pecado.




Paz!
Giuliana Troilo de Oliveira.

*Fontes:

Bunyan, John. O Peregrino, São Paulo, Editora Mundo Cristão, 2006 (versão na linguagem atual).

Boyer, Orlando. Heróis da Fé, 2 edição, Rio de Janeiro, CPAD, 1995.

Biblia King James - Atualizada - BV books

Blog Defesa do Evangelho: http://www.defesadoevangelho.com.br/assista/


Sobre o autor Casado com a Giuliana, pai da Giullia e do Flávio, pastor titular na Igreja Batista Aliança em Bauru/SP. Atualmente leciona a matéria de Teologia Sistemática e práticas pastorais na Ert – Escola de teologia reformada, é membro do conselho local da Fateo (Seminário Teológico Batista do Estado de São Paulo), escreve regularmente para este blog. Facebook ou Twitter

0 comentários

Postar um comentário