A Revelação Geral e a Revelação Especial dentro do plano da Redenção - Por Marcelo Grespan


RESUMO
O propósito desse estudo é avaliar a doutrina da revelação de Deus em suas diferentes formas. Usarei o método histórico-analítico para abordar duas das principais formas da revelação de Deus na história. A abordagem visa um entendimento da revelação natural (criação), seus propósitos e objetivos bem como entendermos a revelação especial (Escrituras), e analisarmos o seu  papel fundamental no plano da revelação progressiva.


 PALAVRAS-CHAVE
Teologia Sistemática; Revelação Geral; Revelação Especial; Conhecimento de Deus; Revelação progressiva.

INTRODUÇÃO
Sempre que falamos em conhecimento de Deus, partimos de duas premissas básicas: A primeira delas é que Deus existe. O livro de Gênesis apenas o apresenta como aquele que cria a vida a partir do nada (Gn 1.1), criando o universo, estabelecendo suas leis próprias e avaliando sua criação como boa. Ele cria segundo sua palavra e isso nos enche de temor e reverência. A segunda premissa é que Ele se revelou de várias formas e de várias maneiras diferentes para se fazer conhecido (Hb 1.1-2). Na teologia chamamos essa revelação de “Revelação progressiva”.[1]
Hb 1.1-2 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
Diante dessas duas premissas básicas, respondamos a seguinte pergunta: Como Deus se revela ao homem? Se Deus nos conhece perfeitamente, tendo ciência de sua total perfeição, será que poderíamos conhece-lo sem que ele se faça conhecido? Qual a fonte do conhecimento de Deus?

            O Mundo do conhecimento pertence a Deus. Ele é o autor e revelador de si mesmo. Não existe conhecimento fora de Deus. Quando então nos referimos ao conhecimento que podemos ter de Deus, do seu caráter e de sua majestade, temos que reafirmar a verdade bíblica de que esse conhecimento provém dele mesmo[i]
Diante disso, segue-se que:
1 Deus é o princípio de todo  conhecimento, até mesmo o científico
2 Toda verdade provém de Deus; portanto não pode haver contradição em Deus
3 A ciência e a fé não se contradizem, elas se completam

Analisemos o salmo 139:
1- Senhor, tu me sondas e me conheces.2- Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.3- Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos.4- Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor.5- Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim.6- Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir.7- Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?8- Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás.9- Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar,10- mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá.11- Mesmo que eu dissesse que as trevas me encobrirão, e que a luz se tornará noite ao meu redor,12- verei que nem as trevas são escuras para ti. A noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são luz.13- Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.14- Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.15- Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.16- Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.17- Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!18- Se eu os contasse seriam mais do que os grãos de areia. Se terminasse de contá-los, eu ainda estaria contigo.19- Quem dera matasses os ímpios, ó Deus! Afastem-se de mim os assassinos!20- Porque falam de ti com maldade; em vão rebelam-se contra ti.21- Acaso não odeio os que te odeiam, Senhor? E não detesto os que se revoltam contra ti?22- Tenho por eles ódio implacável! Considero-os inimigos meus!23- Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações.24- Vê se em minha conduta algo que te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno.
            Podemos observar no salmo 139 que Deus conhece o salmista profundamente. A palavra sondar no hebraico passa uma idéia de cavucar, ou seja, perscrutar o mais profundo do íntimo humano. A palavra chave do salmo é conhecimento, tanto no que diz respeito ao conhecimento que Deus tem do salmista, quanto do conhecimento que o salmista tem de Deus. O conhecimento de Deus não diz respeito somente a um conhecimento intelectual, mas um profundo relacionamento íntimo, onde o que está em jogo é a necessidade da obtenção das informações necessárias a respeito do objeto pesquisado (intelecto) e o seu devido apreço por tais informações (emoções). No salmo podemos observar Deus se auto-revelando para Davi, seus atributos (Onisciência, Onipresença, Criação), bem como a resposta de Davi ao conhecimento de Deus (Adoração v.6,14, Confiança v.10 e Imprecação19-22). Esse conhecimento é dividido em duas categorias: Primeiro Deus manifesta a sua imanência[2] (proximidade). Por várias vezes o salmista afirma que Deus penetra os pensamentos, e o sonda intimamente. Em segundo lugar, o conhecimento acontece de uma forma transcendente[3] (distante). De longe Deus conhece os pensamentos.
A teologia sempre parte do conhecimento imanente e transcendente de Deus. Ao mesmo tempo que Deus se faz presente, habita em nós pelo Espírito Santo nos dando confiança, segurança e conforto, no entanto ele também é aquele que está assentado num alto e sublime trono, distante da criação por não poder compactuar com o pecado e com o mal humano. Daí nós vemos a importância do conhecimento correto de Deus pela revelação especial.
João Calvino (1509-1564), reformador de Genebra escreveu na sua obra magna, as institutas da religião cristã o seguinte pensamento a respeito do conhecimento de Deus:
“A verdadeira sabedoria consiste de dois elementos: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. Daí a importância da revelação. Não podemos conhecer a Deus em sua essência, mas somente na medida em que ele se dá a conhecer a nós."[ii]
Calvino dizia que existe um duplo conhecimento de Deus: como criador e como redentor. Todo ser humano é essencialmente uma criatura religiosa, tendo em si a “semente da religião”. Deus se revela não só através desse senso inato de si mesmo, mas também através das maravilhas da criação. Segundo Calvino esse conhecimento de Deus revelado na natureza exige uma resposta humana, seja de piedade ou idolatria. O fim último da piedade não é a salvação individual, mas a glória de Deus.
            Temos em Calvino uma revolução no pensamento sobre o conhecimento de Deus. O entendimento de Calvino está em concordância com vários pais da Igreja e com a história do cristianismo. O entendimento da revelação de Deus havia se perdido na idade média, devido influência da Teologia humanista da Igreja católica romana. Daí a suma de importância no que diz respeito ao conhecimento de Deus em Calvino O conhecimento de Deus é a base e o fundamento de toda construção teológica e de todo conhecimento humano e o fim de todo conhecimento é a Glória de Deus.

I-             A REVELAÇÃO GERAL
(Teologia Natural) Inclui tudo que Deus revelou no mundo à nossa volta, incluindo o próprio homem. Não é suficiente para a salvação. Ela “apresenta” evidências da existência de Deus.
O mundo e até mesmo o homem, é o grande laboratório de todas as ciências. Deus construiu esse laboratório deixando o homem na responsabilidade de estuda-lo, descobrindo os enigmas que estão por trás das leis que funcionam por trás das prescrições do criador. A revelação geral foi dada para a contemplação, não só da existência de Deus, mas também do cuidado de Deus com a criatura. Agostinho de Hipona (século IV) dizia que na obra da criação podemos contemplar as mãos de Deus claramente, porque elas manifestam a ação divina e a perfeição do criador.  
“A criação é um poema nas mãos do criador”
C.S Lewis (1898-1963)
“O mundo criado é o“deslumbrante teatro” da Glória de Deus”.
João Calvino (1509-1564)
Precisamos da revelação especial (Teologia revelada) para interpretar corretamente a revelação geral (Rm1.21-23). O pecado original distorceu nosso entendimento a respeito da revelação geral, e a consequência foi a rebelião contra Deus e a distância do homem com o criador.

ROMANOS 1.21-23 porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. 22 Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23 e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis.
O processo de rebelião contra Deus acontece da seguinte forma: O pecado corrompeu o intelecto, a vontade e as faculdades mentais do homem. Ele está morto espiritualmente, sendo escravo do pecado (Gn 6.5, 8.21, Jo 8.34,43-44, Rm 3.23, 6.6,23, Ef 2.1, Cl 1.13, 2.13). Na teologia isto se chama depravação total, ou seja, ainda que o homem não seja absolutamente mau, é extensivamente mau.  Por consequência disso, o homem sufocou e suprimiu a palavra de Deus (revelação especial), e rejeitou o verdadeiro conhecimento. Diante da revelação geral, os homens se tornam indesculpáveis diante de Deus, pois o pecado não destituiu o homem da percepção. Tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus. Esse processo de rejeição começa nos pensamentos e no raciocínio. Essa rejeição primária (Conhecimento intelectual) afeta as emoções (coração), passando a afetar a consciência, daí o porquê os homens são tão sábios aos seus próprios olhos. Mas o processo termina com a perversão religiosa, ou seja, o processo de decadência termina em mudar a glória do Deus, confundindo o criador com a criatura. Por isso, segundo Calvino, se Deus não se revelar ao homem, a idolatria e a perversão da verdade predomina no coração. Todo homem é um ser religioso no sentido de possuir o que Calvino chamava de “a semente da religião”.
A revelação geral, apesar de obscura aos olhos humanos é extensa e por mais que o homem não conheça a Deus (Natureza), ele se faz conhecido aos homens (Revelação).
Mateus 5.45 Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Atos 14.16-17 O qual nos tempos passados deixou andar todas as nações em seus próprios caminhos.E contudo, não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações.

O que podemos conhecer de Deus através da revelação Geral?

1º A Revelação Geral manifesta a Glória de Deus
Salmos 19.1 Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2º A revelação geral manifesta os atributos invisíveis, a divindade e o poder de Deus
Romanos 1.20 Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

3º A revelação geral manifesta a sua Inteligência
Atos 17.29 Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens.

4º A revelação geral manifesta alguns Atributos Comunicáveis de Deus
Mateus 5.45 Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.

Resumindo:
1º A revelação geral nos mostra a graça de Deus, não no que diz respeito a graça salvífica (Salvação), mas pelo fato de Deus ter se revelado através da criação.
2º A Revelação geral colabora com o argumento do Teísmo (existência de Deus). Enquanto que o ateísmo nega a existência de Deus por argumentos lógicos e científicos, o teísmo afirma a sua existência. A revelação geral é prova inefável de que Deus existe.
3º A revelação geral revela a justiça de Deus na condenação dos que o rejeitam . Os homens são indesculpáveis diante da revelação geral. Se por um lado a revelação geral não é suficiente para salvar o homem, ela é suficiente para condenar, pois o homem é um ser dotado de responsabilidades e ações morais livres.[4]

II- REVELAÇÃO ESPECIAL (Teologia Revelada)
É o que Deus revelou especificamente nas Escrituras, por meio dos apóstolos e profetas. É requisito para a salvação. Ela também “pressupõe” a existência de Deus. A revelação geral, tornou-se incompleta e ineficiente para conduzir o homem a um relacionamento pessoal e consciente com Deus. Por isso a revelação especial se faz necessária. O conhecimento que Deus deseja que tenhamos com ele está revelado no cânon das sagradas escrituras. Através da história Deus separou e preparou homens para que registrassem de forma exata e infalível seus desígnios.
A Bíblia é o “corretivo” das idéias disformes do homem”[iii], ou seja, somente através das escrituras o homem pode ter um conhecimento de Deus livre de superstições

A TRINDADE COMO A CAUSA PRIMÁRIA DA REVELAÇÃO ESPECIAL
Mateus 11.27 "Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar.

A Revelação especial procede de Deus Pai
João 12.49 Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar.

A Revelação especial é por meio de Cristo
João 17.26 E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.

A Revelação especial acontece pela ação do Espírito Santo
2 Pedro 1.20-21 Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.
A bíblia como palavra Inspirada e inerrante de Deus, dá ao homem a resposta adequada as necessidades espirituais de que o homem tanto carece, sempre apontando para Jesus Cristo e para o poder de Deus. Nela encontramos a esperança da vida eterna preparada e consumada pelo Deus TRIÚNO (Rm 15.4, 1Jo 5.13).
O papel fundamental da revelação especial é expor o único caminho para salvação. Enquanto que a revelação geral (Criação) tem valor ilustrativo, contudo o conhecimento só pode ser entendido corretamente, por aquele que mediante o Espírito Santo entende a revelação especial (Escrituras). Aquilo que a natureza fala de forma estrita e indicativa, a Escritura fala de forma ampla e demonstrativa.
João 5.39 Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;
A revelação especial tem um efeito duplo. Ela é Salvação para os perdidos e edificação para os santos (Salvos)
1 Corintios 1.21 Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.
2 Timóteo 3.16-17 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

Diante disso, indagamos: Como Deus pode ser conhecido? Como podemos conhecer a Deus se ele não se revelar primeiro? Ao longo da história, tem surgido muitas formas de interpretar o conhecimento de Deus. A teologia antropocêntrica do iluminismo tem lançado sobre o homem a causa conhecimento de Deus em detrimento da revelação divina. O Liberalismo teológico foi o grande fomentador dessa nova abordagem. Para a Teologia reformada, a palavra de Deus é que deve dirigir todas as nossas abordagens de interpretação teológica. A teologia centrada na Glória de Deus tem como alvo principal, revelar a auto-existência e o auto-conhecimento de Deus. Deus conhece suas criaturas, por isso nós o conhecemos. Ele não pode ser conhecido enquanto não se fizer revelado. Esse é o âmago da Teologia reformada. A graça antecede o conhecimento que temos de Deus. Conhecer a Deus é uma questão de graça[iv].

PRINCIPAL TENTATIVA DE INTERPRETAR DEUS A PARTE DA REVELAÇÃO

Através da Ciência (Razão)
Grande Influência do teólogo e filósofo Friedrich Schleiermacher (século XIX). O entendimento sobre o conhecimento de Deus sofreu grandes rupturas no decorrer dos séculos.
Na idade média crer em Deus era crucial, ou seja toda interpretação teológica estava baseado sobre as lentes da fé e esse era o fundamento do conhecimento sobre Deus. Era praticamente impossível fazer qualquer tipo de leitura teológica sem os olhos da fé. Quando entramos na era pós-iluminismo (Modernidade), vemos a revolução industrial ganhando forças com o advento da segunda guerra mundial. Com a revolução industrial e a ascensão das pesquisas científicas, o homem passa a ser o objeto de todo o conhecimento
·         Schleiermacher passou a interpretar a fé pela razão. A fé foi desacreditada e  a  razão passa a ser o padrão de pensamento religioso
·         Deus passa a ser visto como objeto de pesquisa científica
·         Ponto de partida antropológico e não teológico

FALSOS CONCEITOS SOBRE DEUS PASSAM A GANHAR ÊNFASE COM A IDEOLOGIA DE SCHLEIERMACHER
As tentativas humanas para encontrar Deus a parte da revelação bíblica desemboca numa falsa interpretação do conhecimento de Deus. Antigas heresias começam a ressurgir na idade moderna, a reinterpretação do deísmo, panteísmo e até mesmo ao ateísmo.
Deísmo: é uma posição filosófica naturalista que aceita a existência e a natureza de Deus (Criador) através da razão e do livre pensamento e da experiência pessoal. Os deístas tipicamente também tendem a rejeitar eventos sobrenaturais, isso por que a razão (com toda sua limitação) não aceitaria tais ideias (milagres, profecias, etc.) não as negando, mas não aceitando como uma verdade racional.[v]
O Deísmo ignora completamente o Deus imanente e só reconhece que Deus pode ser conhecido através da transcendência.
Panteísmo: O Panteísmo ignora a transcendência e enfatiza a imanência no relacionamento de Deus com a criação. Segundo esse pensamento, Deus só pode ser conhecido pela proximidade.
JEREMIAS 23.23  "Sou eu apenas um Deus de perto", pergunta o Senhor, "e não também um Deus de longe?

A Teologia sempre acreditou que Deus é tanto transcendente quanto Imanente.
Na Teologia Deus é visto como um ser pessoal, absoluto e de perfeições infinitas. Negar a transcendência leva ao misticismo ao passo que negar a imanência e a sua proximidade leva a negação do relacionamento que Deus tem com o homem. Acreditamos que Deus se faz presente através de Jesus Cristo, o Espirito Santo habita em nós e somos filhos do Deus vivo.
Em suma, A Grandeza de Deus está acima de qualquer descoberta científica
Sl 139.6 Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir.
Rm 11.33 Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!
Deus está revelado na natureza e isto é inegável. Por mais que o homem invente teorias de como toda a criação surgiu e foi formada, ele nunca conseguirá apagar a imagem da revelação de Deus em toda a obra criada.
Deus mesmo nos ilumina para que possamos entender sua revelação nas Escrituras e por melhor que seja nossa percepção espiritual e teológica, temos ainda uma nuvenzinha de ignorância. Somente o genuíno conhecimento de Cristo nos conduz ao verdadeiro conhecimento de Deus.
            Podemos conhecer a Deus através dos seus atributos, mas Deus se faz incompreensível devido o fato de que o homem não pode compreendê-lo totalmente. Não é verdade que você não pode conhecer a Deus, pois ele se faz conhecido, mas dizer que pode compreendê-lo é avançar em campo desconhecido. Na teologia chamamos isto de incompreensibilidade de Deus[5]. Existem os mistérios não revelados e aquilo que está oculto diante dos homens. Existem coisas que só serão descobertas na consumação e uma delas é a compreensibilidade de Deus. Somos apenas suas criaturas e nós o adoramos por isso.


Em Cristo!
Marcelo Grespan

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BIBLIOGRAFIA
BERKOF, Louis 1932. Teologia Sistemática, 3ª edição São Paulo: Cultura Cristã, 2009
CALVINO, João. As institutas da religião Cristã Livro I
FERREIRA, Franklin, Teologia Sistemática: uma análise histórica, bíblica e apologética para o contexto atual – São Paulo: Vida Nova, 2007
GREUDEM, Waine, A Teologia Sistemática, 1999
H.H Metter, La Iglesia y El Estado, p.28
MAIA, Herminstem, Fundamentos da Teologia reformada, São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
PACKER J.I. O conhecimento de Deus. São Paulo: Mundo cristão, 1980
http://pt.wikipedia.org/wiki/De%C3%ADsmo



[1] O termo "revelação progressiva" refere-se à ideia e ensino de que Deus revelou vários aspectos da Sua vontade e plano geral para a humanidade em diferentes períodos de tempo conhecidos como "dispensações" por alguns teólogos. Para os dispensacionalistas, uma dispensação é uma economia distinguível (ou seja, uma condição ordenada das coisas) na realização do propósito de Deus. Embora os dispensacionalistas debatam o número de dispensações que ocorreram ao longo da história, todos acreditam que Deus revelou apenas certos aspectos de si mesmo e seu plano de salvação em cada dispensação, com cada uma se desenvolvendo sobre a anterior. Embora os dispensacionalistas acreditem na revelação progressiva, é importante ressaltar que não é necessário ser um dispensacionalista para adotar a  revelaçãoprogressiva.


[2] A palavra imanente significa permanente inseparável do sujeito que não desaparece. Em relação a Deus o que isto que dizer? Deus é imanente porque se manifesta na criação. Ele se intervém na criação e se relaciona com ela.
[3] A palavra Transcendente significa aquele que se ocupa das questões mais elevadas, superior que está acima das idéias e conhecimentos ordinários. Em relação a Deus o que isto quer dizer? Deus é Transcendente porque está acima da Criação, Deus como transcendente é Soberano, Soberania Significa poder supremo, autoridade.
[4] Existe uma grande diferença entre liberdade moral e a liberdade do homem ser livre. A livre agência afirma e reconhece que os seres-humanos são criaturas que possuem escolhas morais e eles são responsáveis por elas . Entende-se por livre arbítrio a escolha contrária a natureza. O homem é um ser moral livre, mas não possui livre arbítrio.
[5] A incompreensibilidade de Deus afirma que nunca podemos saber muito a respeito de Deus. Existem os mistérios e o que está oculto diante dos homens. Por toda




[i] Maia, Herminstem, Fundamentos da Teologia reformada, São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
[ii] Calvino, João, As institutas da religião Cristã capítulo 1, O conhecimento de Deus
[iii] H.H Metter, La Iglesia y El Estado, p.28
[iv] PACKER J.I. O conhecimento de Deus. São Paulo: Mundo cristão, 1980
[v] http://pt.wikipedia.org/wiki/De%C3%ADsmo
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