Susanna Wesley


Sendo filha de um pastor puritano e conhecendo a perseguição religiosa, Susanna queria que sua vida fosse útil para Deus. Quando criança, ela orava para que Deus a usasse para acender uma luz espiritual na Inglaterra que se espalhasse por todo o mundo. Deus respondeu a essa oração, mas não da forma que ela imaginava. Deus a chamou para servir como mãe.

Susanna suportou várias provações. Somente nove dos seus 19 filhos sobreviveram até a vida adulta. Samuel, seu primogênito, não falou até os 5 anos, mas orava por ele noite e dia. Outro filho asfixiou-se enquanto dormia. Seus gêmeos morreram, assim como sua primeira filha, Susanna. Entre 1697 e 1701, cinco de seus bebês morreram. Uma filha ficou deformada para sempre devido ao descuido de uma empregada. Alguns de seus filhos tiveram varíola.

Ela praticava o que pregava a seus filhos. Embora tivesse dado à luz 19 filhos, entre 1690 e 1709, e fosse uma mulher naturalmente frágil e ocupada com muitos cuidados da família, ela separava duas horas a cada dia para devoção a sós com Deus. Susanna tomou essa decisão quando já tinha nove filhos. Não importava o que ocorresse, ao badalar do relógio, ela se retirava para comunhão espiritual.

Em sua escola doméstica, seis horas por dia, durante 20 anos ela ensinou a seus filhos de maneira tão abrangente que eles se tornaram notavelmente cultos. Não houve sequer um deles no qual ela não tivesse impingido uma paixão pelo aprendizado e pela retidão.

O bem-estar espiritual dos filhos interessava muito a Susanna. Ela separava uma hora por semana para estar particularmente com cada um dos filhos, a fim de conversar sobre assuntos espirituais. Ela lhes deu uma apreciação das coisas do Espírito e levou avante esse ensinamento até seus anos de maturidade.

Exercícios religiosos eram dados às crianças cedo e à noite. Todos eram ensinados a orar em alta voz, e a oração do Senhor era repetida cada manhã e noite. As crianças liam em voz alta as Escrituras todas as noites. Os filhos mais velhos liam para os mais jovens, e grande parte da noite era gasta com cânticos de louvor. Orações com toda a família eram realizadas todas as manhãs. Mesmo já idosa, seu filho John ainda vinha até a sua devota mãe por conselhos.

E seria seu filho John, um ministro anglicano ordenado, que experimentaria um despertar espiritual e daria início ao movimento metodista. E seu filho Charles, também ministro anglicano, daria à Igreja mais de 9 mil hinos inspiradores.

Seu filho Samuel disse uma vez à esposa que “algumas das pessoas verdadeiramente grandes eram aquelas que eram fiéis realizando coisas pequenas”. Não há dúvida de que as “pequenas” orações de Susanna ajudaram a mudar o mundo.

Não é de se admirar que essa mãe, que tão frequentemente orava: “Dá-me graça, oh Senhor, para ser uma cristã verdadeira”, tenha produzido um grande cristão como John Wesley. “Ajuda-me, Senhor”, ela orava, “a lembrar que religião não é estar confinada à igreja ou a um cômodo, nem me exercitar somente em oração e meditação, mas é estar sempre na tua presença.”

Em outubro de 1735, a convite do General dos Estados Unidos, John e Charles Wesley foram até lá como missionários aos índios e colonizadores. Susanna se despediu de seus filhos e, ao fazê-lo, John expressou sua preocupação em deixar a mãe idosa. Mas ela respondeu: “Tivesse eu 20 filhos, eu me alegraria que todos eles fossem assim empregados, mesmo que nunca mais os visse”.

Ao retornar à Inglaterra, John reassumiu suas pregações em todo o país. Anos depois, Susanna teve o imenso gozo de ouvi-lo pregar, noite após noite a céu aberto, a uma grande congregação.

Enquanto pregava em um domingo de julho de 1742, John foi avisado que sua mãe estava enferma e retornou às pressas. Na sexta-feira seguinte, ela despertou do sono para clamar: “Meu querido Salvador, tu estás vindo socorrer-me nos meus últimos momentos de vida?” Mais tarde naquele dia, enquanto seus filhos estavam ao redor de seu leito, ela disse: “Filhos, tão logo eu tenha sido transferida, cantem um salmo de louvor a Deus”.

Ao falar da importância dos pais na vida de seus filhos, Susanna Wesley disse:

O céu ou o inferno dependem somente disso; assim, o pai que estuda uma forma de vencer a obstinação dos filhos trabalha junto com Deus na renovação e na salvação de uma alma. O pai que se submete à vontade obstinada dos filhos faz a obra do diabo, torna a religião impraticável e a salvação inalcançável. Ao ceder a todas as suas vontades, condena os seus filhos, alma e corpo, para sempre.”